Resumos

LidokaDesbunde, curtição e contracultura
Nascida rica e coberta por tabus religiosos, Lidoka fala sobre a revolução de costumes que viveu por 2 anos, na década de 70, dentro do movimento contra cultural que brotou do espetáculo dos Dzi Croquettes, onde pode ser ela mesma, após ser expulsa de casa.

Luiz Carlos MacielO corpo e o espírito
Uma nova relação com o próprio corpo e a descoberta de outros estados de consciência foram as principais experiências que marcaram o crescimento de minha geração. Naturalmente nosso objetivo era enfrentar a repressão, tanto externa quanto interna, que nos sufocava. Embora essas duas experiências principais se apresentassem como autônomas e independentes uma da outra, aqueles, entre nós, que as viveram acabaram percebendo que havia uma ligação que as unia numa experiência mais ampla e mais profunda. Para resumir, podemos dizer que a saúde do corpo favorece a expansão da consciência – e vice-versa. Fundamento esta afirmação da unidade entre corpo e espírito em minhas experiências pessoais com a ioga e o aikido, o ayahuasca e o ácido lisérgico. Nunca  surgiu contradição alguma entre essas práticas mas, ao contrário, uma surpreendente harmonia.

Ana Cristina ChiaraLas Niñas: a poesia feminina nas margens
O que move o sucesso de público de um autor? Isto se torna um estudo de caso da vida literária: duas moças (não sendo, porém, as únicas) Angela Melim e Ana Cristina César, participaram do grupo de poetas da década de 70 que foi rotulado de “Poesia Marginal. Qual a importância desta participação? Como a participação feminina se deu em meio ao grupo de jovens rapazes? Ao se fazer a revisão da Poesia Marginal, Angela permanece uma poeta para iniciados, enquanto Ana C. figura como uma celebridade da poesia, mito, anjo, canonizada por sua morte espetacular e triste. Ambas, porém, apresentam a mesma potência de largada, o mesmo referencial da poesia de 70 e algumas constantes poéticas em comum com os rapazes. Refletiremos, a partir delas, sobre a poesia feminina nas margens de anos tão conturbados quanto libertários.

Frederico CoelhoExperimentar o experimental: o panorama das artes visuais
No final dos anos 1960, o debate sobre a contracultura começa a circular no Brasil através de diferentes frentes de ação. Na música popular, nas artes visuais, no cinema e no teatro, temos eventos que apontaram para as transformações que eclodiriam no início dos anos 1970 sob a alcunha de “cultura marginal”, uma forma de se classificar as experiências da contracultura no país em plena ditadura militar. A palestra fará um breve histórico desses eventos e apontará a questão do “experimental” (termo cunhado por Hélio Oiticica) como um dos eixos da prática contracultural brasileira.

Luiz Carlos Lacerda (Bigode)Entre o Cinema Novo e a marginália do udigrudi
No final dos anos 60, em pleno auge e esplendor do movimento denominado Cinema Novo – inaugurado por Nelson Pereira dos Santos e inspirado no neorrealismo italiano, e constituído pela geração de Glauber Rocha, Gustavo Dahl, Paulo César Saraceni, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszmann e outros, surge um pequeno grupo de dissidentes que propõem uma nova linguagem cinematográfica e política. Influenciados pelo jovem e contestador cinema underground americano, especialmente o grupo reunido na The Factory, de Andy Wahrol, fazem filmes com uma nova postura. A frase de Rogério Sganzerla, “Se não dá pra mudar vamos avachalhar” e a máxima expressa numa obra do artista plástico multimídia Helio Oiticica, “Seja marginal. Seja herói” são dois pilares morais de uma nova postura política e estética. A cultura das drogas, a pintura pop, a descontinuidade de cenas herdadas dos filmes de Godard, o descuido técnico, uma interpretação marcada pelo deboche influenciada pelos espetáculos do Teatro Oficina de José Celso Martinez Correa e uma espécie de alinhamento com o movimento tropicalista são suas marcas principais. Pejorativamente denominado como “o cinema udigrudi” por Glauber Rocha – numa tentativa de desmerecimento e enquadramento no que se chamava de “colonialismo cultural norte americano”, o cinema realizado e produzido à margem do mercado cinematográfico brasileiro sobreviveu no exílio londrino, onde seus principais realizadores (Rogério Sganzerla e Julio Bressane) viveram conturbados e profícuos anos. Inaugurado com o hoje antológico Bandido da luz vermelha, de Sganzerla , o movimento proliferou-se, aliando nomes como Neville de Almeida e José Sette, em Minas, Eliseu Visconti no Rio de Janeiro, Andréa Tonacci em São Paulo, Álvaro Guimarães e Edgar Navarro na Bahia e até os dias de hoje sobrevive através da inesgotável filmografia de Julio Bressane – hoje dedicado a um cinema poético mas fora do contexto comercial – sempre marginal.

Rosa DiasA filosofia nos anos 60/70: exílios e resistências
O objetivo da palestra é tecer algumas reflexões sobre as práticas culturais presentes no Brasil no período compreendido entre as décadas de sessenta e setenta e suas relações com a Filosofia. Através do meu olhar, testemunho ativo desse período, procurarei abordar tanto o que era desenvolvido no circuito acadêmico quanto o que era representativo das manifestações políticas e culturais dessa época.

Victor Hugo AdlerContrabando de utopias e desejos
Com ênfase nas manifestações teatrais, proponho discutir o fenômeno do contrabando de mensagens icônicas ou verbais durante o regime militar. Esse fenômeno relacionava-se com estratégias de defesa e resistência aos mecanismos repressivos e permitia que se compartilhassem não somente projetos e utopias políticas, mas também experiências com drogas ou fantasias eróticas penalizadas pelas alfândegas ideológicas da época. Alguns grupos teatrais destacaram-se nessas experiências, que atualizava mecanismos característicos de comunidades marginalizadas – e a temática e a estética de alguns espetáculos e happenings da época autorizam essa aproximação.

Rodrigo FaourOutras bossas e novas tropicálias
A ideia da palestra é mostrar como a música brasileira filtrou bem as mudanças comportamentais ocorridas no mundo entre os anos 60 e 70, explodindo na atitude dos grandes artistas do período. Os artistas da Jovem Guarda, da Tropicália, da pós-Tropicália, do rock, do brega, da discotèque à brasileira e até mesmo do samba tiveram papel revolucionário na história do Brasil e até mesmo da própria música do país, pois até meados dos anos 60, a postura dos artistas e as nossas letras ainda eram um tanto tradicionais e machistas, salvo honrosas exceções. Foi um período que  se estendeu até o início dos anos 80 e nunca mais se repetiu com a mesma riqueza e originalidade.